O último de mim?

Oi, esse texto poderia ser como um daqueles bilhetes encontrados em The Last of Us, game de sucesso da Sony, em que através de uma narrativa cinematográfica e pós apocalíptica, uma garota atravessa o país em busca do propósito de sua sobrevivência.

43° dia da minha quarentena, que, ainda bem não é por causa de um apocalipse zumbi… A essa altura já até criei certa empatia pelos comedores de cérebro – Mas calma, eu não quero massa cinzenta no jantar, eu só queria voltar a andar por aí sem medo de ser infectado, cada um em seu ritmo, mas com propósito mútuo, tentando deixar o mundo mais igual.

Não sei quantos podem se identificar, mas o isolamento me traz danos psicológicos. A falta de contato social, de estar presente no trabalho ou com a família me leva em passos curtos à beira de crises existenciais. O que me puxa novamente à superfície é acreditar que tudo não passa de mais uma fase.

Já disse isso antes por aqui e ainda direi mais vezes porque é meu mantra eficaz! Uma fase é sempre temporária, por mais difícil que seja.

Trabalhar em casa é um desafio diário. Quem já fazia isso antes, hoje ajuda com dicas de exercícios. Método pomodoro? Um dos muitos que nem sempre funcionam com pessoas ansiosas, com TDAH, etc… Geralmente bonitos em teoria, mas você precisa dar conta da sua demanda e não se distrair com o barulho da rua, o som da cozinha logo ao lado ou a varanda te chamando pra uma pausa rápida porque, relaxa, você vai dar conta depois, tipo meia noite vai estar tudo entregue.

É a rotina quebrada e isolada que vai comprometendo sua disposição e rendimento, e então quando você percebe, se tornou um daqueles zumbis, mas dentro de casa e não na rua como no game. Você devora pizzas e se torna amigo de interfone dos profissionais de Delivery. A cama tem um belo sulco marcando as horas que você dedica à Netflix e na janela, a luz já não faz diferença desde que você faça o essencial.

Felizmente, enquanto temos profissionais heróis estudando a cura do vírus, o restante da humanidade também se preocupa em curar os males da quarentena. Desde lives famosas, vídeo call com amigos, informação essencial, segurança, empatia e solidariedade… Tudo isso, pouco a pouco me faz vencer a famigerada fase, junto de uma receita que eu preciso dividir;

1. Pela manhã, dê uma boa olhada no céu. O movimento de até mesmo a menor nuvem vai te dizer que o mundo ainda não parou. Se não tiver nenhuma, relaxa, provavelmente vai ser verão.
2. Respire. Quando você dedica um momento para respirar conscientemente, está dizendo ao seu corpo que tem vontade de continuar.
3. Evite as notícias da manhã e da noite. Pelo menos até tudo ficar bem… Você não precisa começar o dia sabendo quantas pessoas morreram no mundo ou dormir com uma atualização desses dados. Na hora certa você vai se informar do que for relevante.
4. Com papel e caneta (ou lápis) rabisque! Externe o máximo possível as palavras e formas do subconsciente. A folha quando preenchida pode não fazer o menor sentido e tudo bem, é um exercício pra relaxar enquanto trabalha.
5. Hidrate-se. Em casa a gente bebe menos água que no trabalho, então dá um jeito nisso. Existem apps aí que servem pra te lembrar de tomar água.
6. Faça alongamentos de vez em quando e se possível, exercícios. Se os zumbis reais chegarem amanhã, como você vai fugir deles sem correr?

Podemos nos manter sãos e ativos, afinal, essa não pode ser última versão de nós mesmos.

Fala-se muito ultimamente em construir o “novo normal”… Percebo que já até começamos. O novo normal nasce em casa, mas não termina nela. Nosso propósito vai além.
A espécie que mais avançou até hoje ainda vai travar novos apocalipses nas estrelas, como em Star Trek e nunca vai desistir. Para isso, o que aprendemos e vivenciamos hoje, será essencial amanhã.

Quando tudo isso acabar, espero que possamos dizer que atravessamos mais um fim do mundo e  j u n t o s  sobrevivemos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *