A cenoura e o minimalismo

Você está bem com o que tem?

Resolvi antecipar uma pesquisa pra você antes de chegarmos ao que importa: Sabia que para o ser humano, apenas 100g de cenoura 🥕 são suficientes para suprir as necessidades diárias de vitamina A no corpo? Eu fiquei impressionado e passei a considerar mais cenouras na alimentação (quando possível) já que trabalho tanto com as telas e essa vitamina é responsável por melhorar a visão… Isso, além de prevenir cáries e o envelhecimento, embelezar cabelos entre tantos outros benefícios. É, a cenoura humilha certas raízes aí! rs

Relaxa, você não caiu num texto que defende a dieta da cenoura pra perder 7kg numa semana… Inclusive, nem faça dietas sem orientação de um profissional! Aqui eu pretendo falar sobre se ambientar com o que é essencial.

Recentemente recebi a indicação de um documentário chamado “Minimalismo”, que caiu como uma luva nesse momento da minha vida. Ele aborda sobre um estilo de vida, sobre aprender a viver com menos… O que, como disse antes, prefiro chamar de “essencial”. De forma bem intuitiva e quase que didática somos apresentados à uma maneira de simplificar a vida, dar mais leveza e significado à ela de maneiras anti ou menos consumistas.

Quantas vezes no calor do salário recém chegado no bolso não nos permitimos comprar supérfluos que por vezes nos trazem satisfação por pouco tempo? Um eletrônico bacana que depois de uns dias vai pra gaveta ou aquela pilha de livros que você promete ler em breve, mas as folhas estão até grudadas porque você nunca nem folheou. A filosofia do assunto não quer te privar de conquistar, mas de aprender a ter o necessário, pelo tempo que for útil para você e então passar adiante da forma que for mais conveniente.

Agora que você foi introduzido ao cerne da questão, podemos partir para minha área de atuação profissional e é por onde tento conciliar o minimalismo: O design!

Imagine-se na Times Square em NYC ou entre corredores de um supermercado… Imaginou? Tente ficar confortável com um anúncio ou rótulo em relação ao seu ambiente e verá que a tarefa não será tão simples. Isso porque o mercado publicitário entre outras vertentes é convencionado à atrair e impactar. O excesso de cores, formas, palavras e imagens (por vezes somados à abordagem sonora) nos fazem brilhar os olhos e nos induzem à adquirir. Vez ou outra você compra porque o que te chama atenção é mais bonito e o que é mais bonito te remete à qualidade, logo, mesmo que não precise, seu carrinho terá novos ítens que irão satisfazer seus desejos.

Ainda que toda essa explosão de imagens possa encantar, ela muitas vezes provoca o que chamamos de poluição visual, que nada mais é que o excesso de estímulos visuais que te impactam e provocam desconforto.

Um renomado designer turco, Mehmet Gozetlik, apresentou propostas simples para rótulos de grandes marcas, sem grandes efeitos ou excesso de cores. Um resultado como esse, prático e de muito bom gosto, reforça o quão dispensável é a forma de comunicação convencional do mercado maximalista. O design consciente nos mostra o quanto é consideravelmente possível reduzir os excessos na comunicação publicitária e ainda assim propor ao receptor da mensagem as mesmas vertentes que fazem o capitalismo funcionar.

A minha ideia aqui não é propor doutrinas minimalistas, mas colocar em pauta um link entre o que é a comunicação que te impacta a ponto de querer consumir através de excessos e o que te faz considerar sobre aquela mais simples não parecer pobre ou incompleta, mas certeira, eficaz e principalmente suficiente.

Proponho uma comunicação “a la cenoura”, que com pouco é capaz de suprir necessidades… Ela não precisa trabalhar sozinha já que funciona num refogado, em uma sopa, bolo ou na salada — Da mesma forma o bom design deve apresentar soluções através de forma e função. A maneira como essa solução se manifesta no mercado é que precisamos dedicar atenção.

Você aprecia o minimalismo? Gostaria de saber se você também tem curiosidade nesse assunto e se concorda no quanto esse movimento é válido e nos motiva a desenvolver novas soluções.

Links:
O efeito do minimalismo no mercado maximalista
Documentário na Netflix

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